Reflexões sobre a mostra Sob a Potência da Presença (2019) - Museu da República (RJ)

Ensaio por Ellen Bento Alves


Resumo: Este trabalho visa criar uma articulação entre a exposição coletiva Sob a Potência da Presença realizada no Museu da República (RJ) em 2019 em parceria com a Rede Nami, ong voltada para o direito das mulheres. Para compreender as especificidades do museu, utilizamos os estudos de Ana Paula Zaquieu (2018). Estabelecemos também uma conexão com autores pós-coloniais como Walter Mignolo (2018), Grada Kilomba (2019) e Lélia Gonzalez (2020) com o propósito de aprofundar questões sobre raça e gênero no contexto expositivo.


Palavras-chave: Decolonialidade. Exposição. Artes Visuais. Intelectuais Negras.


 

Esta proposição ensaística está vinculada à dissertação “Tem aula no museu?”, tecendo relações entre arte, cultura e pensamento afrodiaspórico, ligada ao programa de Pós-Graduação em Artes Visuais - PPGAV/UFRJ, sob orientação da professora Carla Dias.


Temos o objetivo de estabelecer uma reflexão sobre a mostra realizada no Museu da República (Rio de Janeiro) e dialogar sobre os anseios da instituição museológica ao pensar o papel político do museu. Partimos do texto de Ana Paula Zaquieu A República que o Palácio não mostra: considerações sobre mediação de visitas num museu de História, apresentado no 31º Simpósio de História do Rio de Janeiro em 2021. Estabelecemos também uma articulação com autores pós-coloniais com o propósito de aprofundar questões sobre raça e gênero no contexto expositivo.


Zaquieu (2021) inicia o texto apresentando o Museu da República, uma tradicional instituição museológica vinculada ao IBRAM/MTur, antiga sede da presidência entre os anos de 1897 e 1960 até ser transformado em museu. A instituição é dirigida desde 2017 pelo professor e museólogo Mário Chagas, que foi um dos executores da criação da Política Nacional de Museus do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e do Programa Pontos de Memória. Sua trajetória está ligada à museologia social, vertente que tem o objetivo a salvaguarda do museu como instrumento de função comunitária e participativa.

O coração da proposta é que sejam tomadas coletivamente as decisões sobre que memórias são relevantes para serem preservadas, bem como os seus respectivos suportes, de forma que cada comunidade possa controlar a narrativa sobre si mesma, fortalecendo sua identidade ao estabelecer as conexões críticas entre o passado, o presente e os futuros desejados. Está ligada a museologia social (IBRAM, 2021, site).

Desse modo, o Museu da República tem como missão contribuir para a edificação sociocultural do país, através de práticas de preservação, pesquisa e comunicação do legado cultural do país. O museu está empenhado na democratização do acesso à arte, assim como o apreço à diversidade e as práticas da cidadania.


Em 2019, foi realizada a exposição coletiva Sob a Potência da Presença no Museu da República em parceria com a Rede Nami¹. As artistas participantes foram Aline Cozta, Ana Almeida, Arcasi, Carla Santana, Crislaine Tavares, Edzita SigoViva, Ellen Alves, Jessica Xavier, Joyce Candeia, Loli Brito, Mariah Hairam, Marta Supernova, Pamella Magno e Susan Soares. Esse grupo é formado por artistas racializadas e com poéticas ligadas a questões sobre o feminismo e a representação negra na arte. As obras se aproximam da perspectiva decolonial. A decolonialidade é entendida como um movimento que visa romper com o eurocentrismo e viabilizar perspectivas outras. A perspectiva decolonial se vincula a um projeto político e epistêmico (COSTA, TORRES E GROSFOGUEL, 2019).


A mostra teve curadoria de Keyna Eleison² e a ação foi fomentada pela ativista e artista multidisciplinar Panmela Castro. Antecedendo a exposição, foi realizado um curso de acompanhamento em arte contemporânea ministrado por Keyna Eleison. O curso contou com debates sobre a atuação de mulheres negras na arte contemporânea. Os encontros aconteceram de agosto a outubro e foram realizados no Capacete³, no bairro da Glória (RJ) e no Museu da República no Catete (RJ).


Uma das questões centrais em torno da exposição foi a questão da ausência, de forma a evidenciar e contestar o que está implícito no acervo, levando em consideração a história da instituição museológica e sua configuração original. O Museu da República, antigo Palácio do Catete, foi construído entre 1858 e 1867, pelo Latifundiário e escravocrata Antônio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo. Zaquieu (2021) aponta que “a bibliografia vem sinalizando, há tempos, o quanto a trajetória dos museus no Brasil é marcadamente comprometida com as memórias das elites e dos seus heróis”.


A discussão sobre gênero e raça estava intrínseca nos encontros e refletem alguns trabalhos da exposição. Esses atravessamentos no qual as mulheres negras são afetadas geram sentimentos conflitantes: o não lugar, a mulher objeto, a negra forte e guerreira são alguns exemplos de como o racismo impacta a vida das mulheres negras.


Pode-se traçar um paralelo com o livro Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano, de Grada Kilomba (2019). A autora inicia seu texto falando do desafio que foi escrevê-lo devido ao fato de não ser mais “Outra”, mas sim ela própria: “Não sou o objeto, mas o sujeito. Eu sou quem descreve a minha própria história, e não quem é descrita. Escrever, portanto, emerge como um ato político” (KILOMBA, 2019, p. 27-28). Desse modo, percebemos uma relação com a temática explorada na exposição Sob a Potência da Presença com o texto de Kilomba, como parte de um movimento que busca construir uma representação cultural antirracista e torna-se sujeito de sua própria história.


Dois conceitos formulados por Kilomba (2019) serão explorados e conectados com a exposição Sob a Potência da Presença (2019): o trauma colonial e o racismo generalizado. Ao tratar o conceito de trauma colonial, a autora descreve o termo "plantação", símbolo de um passado traumático que é reencenado através do racismo cotidiano.

A ideia de plantação é, além disso, a lembrança de uma história coletiva de opressão racial, insultos, humilhação e dor, uma história que é animada através de racismo cotidiano. A ideia de “esquecer” o passado torna-se, de fato, inatingível; pois cotidiana e abruptamente, como um choque alarmante, ficamos presas/os a cenas que evocam o passado, mas que, na verdade, são parte de um presente irracional. Essa configuração entre passado e presente é capaz de retratar a irracionalidade do racismo cotidiano como traumática. (KILOMBA, 2019, p. 213).

A linha entre passado e frente se torna tênue. O racismo cotidiano evidencia uma questão que não foi de fato superada como aponta Débora Araújo (2019, p. 226): “Quando as fraturas e os traumas produzidos ao longo dos séculos são ratificados no contexto político atual por meio de uma política genocida de corpos e identidades diaspóricas". Kilomba (2019) explica que o termo trauma é derivado da palavra grega “ferida” ou “lesão” e o termo refere-se a todo dano causado na pele, fruto da violência imposta.


A autora explica que o racismo cotidiano é um acúmulo de situações violentas que expõem “um padrão histórico de abuso racial que envolve não apenas os horrores da violência racista, mas também as memórias coletivas do trauma colonial” (KILOMBA, 2019, p. 215).


A relação entre raça e gênero também está presente na obra de Lélia Gonzalez (2020) que analisa o contexto brasileiro. Nessa perspectiva, ela aborda o retrato da mulher negra no Brasil entre 1975 e a primeira metade de 1990, utilizando trechos de músicas, matérias jornalísticas e alguns de seus escritos. Apesar dos seus textos terem sido escritos há três décadas atrás, sua produção se mantém pertinente ao contexto atual. Tais produções acadêmicas abrangem: críticas à persistência do racismo, o sexismo na cultura brasileira, a psicanálise pensando aspectos culturais e políticos no Brasil e na América Latina. Também refletem sobre a dominação e resistência na América Latina. Para a autora, durante os desfiles de carnaval, a figura da mulata adquire seu ápice, no qual ela sai do anonimato e “se transforma em uma Cinderela: adorada, desejada e devorada por aqueles que foram até lá justamente para cobiçá-la” (GONZALEZ, 2020, p. 165).

Quando se analisa a presença da mulata na literatura brasileira e na música popular, sua aparência física, suas qualidades eróticas e exóticas é que são exaltadas. Essa é a razão pela qual ela nunca é musa, que é uma categoria da cultura. No máximo - como alguém já disse - ela pode ser uma fruta a ser degustada, mas de todo modo é uma prisioneira permanente da natureza (GONZALEZ, 2020, p. 165).

A autora evidencia nesses trechos a lógica de dominação/exporação imposta às mulheres negras (2020, p. 166). Como aponta Oliveira, Pereira e Miranda (2020, p. 355-356)⁴ há uma aproximação entre os estudos de Grada Kilomba (2019) e Lélia Gonzalez (1984) a “respeito do imaginário da branquitude em relação a negritude, principalmente no que tange às representações dos corpos da mulheridade negra, objetivados nos discursos de medo e desejo”. Desse modo, a produção dessas autoras se conectam por evidenciar as experiências das mulheres negras e expor os atravessamentos do racismo e do sexismo.



Figura 1 - Instalação Taça-mulher - Série Não sou um objeto único, Crislaine Tavares, 2019. Reprodução fotográfica Renata Anchieta

Um dos trabalhos elencados na mostra, da artista visual Crislaine Tavares, graduanda em Gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, evidencia os impactos do racismo no corpo da mulher negra. Na série Não sou um objeto único, a artista se coloca enquanto mulher negra e revisita em sua memória traumas e situações ligadas ao sentimento de objeto.


Ao abordar a objetificação do corpo feminino negro e os estereótipos atribuídos pela sociedade - além dos efeitos dessa imposição no campo afetivo-, a série retrata episódios passados, desde os 14 anos de idade até aos 21 anos, que a artista relata 60 pessoas/situações que fizeram gerar esse sentimento. A instalação Taça-mulher dá início a série, no qual, cada pessoa/situação corresponde a uma taça num formato exagerado do corpo feminino. Esse trabalho foi exposto no Salão de banquetes do Museu da República, Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, problematizando o oferecimento desse corpo.


Uma conexão que tecemos é com a produção acadêmica de Lélia Gonzalez. A autora analisa o contexto em que a mulher negra brasileira está inserida e observa a construção dos seus arquétipos: a mulata, a mãe negra/anciã e a mulher negra para trabalhar. Em relação à construção do imaginário da mulata, a obra da artista Chris Tavares se conecta diretamente por abordar a questão da objetificação da mulher negra, em que o interesse na mulata é meramente sexual, sua figura é explorada no Carnaval e sua imagem vendida como algo que está disponível a investidas.

O ditado “Branca para casar, mulata para fornicar e negra para fornicar” é exatamente como a mulher negra é vista na sociedade brasileira: como um corpo que trabalha e é super explorado economicamente, ela é faxineira, arrumadeira e cozinheira, a “mula de carga” de seus empregados brancos; como um corpo que fornece prazer e é superexplorado sexualmente, ela é a mulata do Carnaval cuja sensualidade recai na categoria do “erótico-exótico”. (GONZALEZ, 2020, p. 170)

Uma outra obra apresentada nesta exposição foi o trabalho da artista afroindígena Arcasi, nascida em Belém do Pará, atualmente graduanda em História da Arte na EBA - UFRJ. A obra “O café que produzimos e servimos nós não tomamos” explora a relação do trabalho, no qual a artista se propõe a pesquisar, visitar e revolver memórias de trabalho.



Figura 2 - O café que produzimos e servimos nós não tomamos. Arcasi, 2019.

“minha vó materna era lavradora. eu a vi plantar café, colher, secar, torrar e moer os grãos no pilão” (ARCASI, 2019).


São colocados dois objetos de uso cotidiano, uma xícara de café e um pires, que foram adquiridos pela artista durante um bazar na Associação de Moradores da Vila Residencial, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro/RJ, em 2015. Esses dois objetos são entendidos por Arcasi como uma única peça devido sua relação de complementaridade, compondo parte da edição comemorativa para o Instituto Nacional da Previdência Social (INPS) encomendada pelo Governo. A xícara (5,5 de diâmetro por 5,5 cm de altura) e pires (11,5cm), ambos de porcelana, item de n° 729 no Museu das Xícaras. A principal indagação da artista em relação a obra é o questionamento: quais são as narrativas que estão guardadas entre as camadas de tempo que se depositam nos objetos?


Neste aspecto a xícara a ser exibida remete diretamente ao consumo do café. Arcasi associa seu consumo às memórias das lavouras, do sistema de opressão e exploração adaptável.


A artista estabelece indagações: "Em que condições nossos corpos foram incorporados historicamente ao mundo do trabalho neste país? Como este objeto se relaciona com a história do país? Com a história do Museu da República? E o que significa esta peça comemorativa num momento de retrocesso, de retirada dos direitos dos trabalhadores?” Mesmo na contemporaneidade o café ainda é símbolo nacional, seu consumo faz parte do cotidiano dos brasileiros, como argumenta Arcasi (2019).



Firgura 3 - Derramar. Loli Brito, 2019, colagem.

Loli Brito é uma artista, educadora e pesquisadora, possui formação em Artes pela Universidade Federal Fluminense foi aluna do curso Imersões Curatoriais, da Escola Sem Sítio. Tem como foco de interesse a produção artística negra e indígena brasileira e práticas não institucionais de arte.


A obra Derramar é uma foto colagem, feita na técnica de colagem analógica e lambe-lambe sobre um tapume. Derramar simboliza uma apropriação do espaço do Salão Nobre do Museu da República. Tendo a seguinte proposição: como habitar espaços historicamente violentos aos nossos corpos de mulheres racializadas? E para essa pergunta Loli responde: nos colocando através da água.


Walter Mignolo (2018, p. 323) explica que o caminho decolonial não se trata de uma forma correta de estabelecer aquilo que os museus necessitam fazer. No entanto, as instituições museológicas devem ofertar ambientes para os diversos “tipos de atividade interpretativa (dialogando ou contestando uns aos outros)”.

A opção descolonial desloca o “espetáculo” e a “performance” das exposições e instalações do museu e traz para o primeiro plano o que o “espetáculo” e a “performance” escondem: a colonialidade, ou seja, o lado mais sombrio da modernidade, dos quais os museus são uma instituição fundamental (MIGNOLO, 2018, 323).

Dessa forma, Mignolo sugere que um caminho para pensar o decolonial em instituições museológicas seja através de projetos que visem a descolonialidade do ser e dos saberes, assim como nos propõe a pensar de que forma os museus podem colaborar com a decolonialidade amparada pelas práticas democráticas comunitárias? (MIGNOLO, 2018, p. 324).


 

Notas de rodapé ¹ É uma ONG feminista de arte urbana, fundada em 2010 por Panmela Castro. ² É curadora e pesquisadora. Mestre em História da Arte e especialista em História da Arte e da Arquitetura pela PUC – Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro); bacharel em Filosofia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Membro da Comissão da Herança Africana para laureamento da região do Cais do Valongo como Patrimônio Mundial (UNESCO). Curadora da 10a. Bienal Internacional de Arte SIART, na Bolívia. Atualmente é diretora artística do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM). ³ É uma iniciativa artística autônoma sem fins lucrativos fundada no Rio de Janeiro em 1998 e ativo em São Paulo desde 2009. As atividades gravitam em torno de um programa de residência internacional baseado em pesquisa artística para artistas, críticos e curadores, entre outros profissionais ligados à cultura e ao pensamento crítico, para passar um período de 3 a 6 meses nas cidades do Rio de Janeiro e / ou São Paulo, Brasil. ⁴ A interpelação do indivíduo em sujeito ou a gramática do sujeito: identidades, desejo e racismo em Judith Butler, Lélia Gonzalez e Grada Kilomba. Poliética. São Paulo, v. 8, n. 2, pp. 338-360, 2020.

 

Referências bibliográficas


ARAÚJO, Débora. Grada, Kilomba. Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Contemporâneo. Revista ARTEFILOSOFIA, V.15, Nº28, ABRIL DE 2020, P. 226-232.


ARCASI. Exposição Sob a Potência da Presença: depoimento. [15 de novembro, 2019]. Rio de Janeiro. Entrevista concedida a Ellen Bento Alves.


COSTA, B. Joaze; TORRES, M. Nelson; GROSFOGUEL, Ramón. Org.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.


GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo Afrolatinoamericano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020. p. 375.


IBRAM. Museologia Social. Disponível em: <https://sabermuseu.museus.gov.br/museologia-social-2/#:~:text=O%20cora%C3%A7%C3%A3o%20da%20proposta%20%C3%A9,cr%C3%ADticas%20entre%20o%20passado%2C%20o> Acesso em: 01 dez. 2021.


KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: Episódios de racismo cotidiano, Cobogó, 2019. p. 249,


MIGNOLO,Walter. Museus no horizonte colonial da modernidade: Garimpando o museu (1992) de Fred Wilson. Trad. Simone Neiva, Loures Gonçalves e Gisele Barbosa Ribeiro. Museologia & Interdisciplinaridade, v.7, n.13, p. 309-324, jan/jun. 2018.


OLIVEIRA, Ana Caroline A.; PEREIRA, Amanda G.; MIRANDA, Marcelo Henrique G.; A interpelação do indivíduo em sujeito ou a gramática do sujeito: identidades, desejo e racismo em Judith Butler, Lélia Gonzalez e Grada Kilomba. Poliética. São Paulo, v. 8, n. 2, pp. 338-360, 2020.


ZAQUIEU, Ana Paula Vianna. A república que o palácio não mostra: considerações sobre mediação de visitas num museu de história. In: ANPUH-BRASIL, 31., 2021, Rio de Janeiro. Simpósio Nacional de História.


 

Ellen Bento Alves


Artista visual e Mestranda em Artes Visuais pelo Programa de Artes Visuais PPGAV - UFRJ. Especialista em Ensino de Artes Visuais pelo Colégio Pedro II. Licenciada em Belas Artes pela UFRRJ. Graduanda em Pedagogia pela Faculdade Veiga de Almeida.



Este ensaio foi selecionado via chamada aberta.