Caixa de solidão, por Marcos Martins

Este vídeo apresenta o artigo Caixa de solidão escrito por Marcos Martins (Professor do Departamento de Artes Visuais da UFES).


Este artigo compreende a reflexão sobre um conjunto de obras que se enquadram na ideia da casa como "Caixa de solidão” ao tomar as questões recentes das mudanças nas formas de interação com o mundo em decorrência da pandemia de Covid-19.


Angústias do sonhar de olhos abertos e/ou fechados, já que toda forma de interação física transformou-se em risco provocando as dispersões, como medida para se continuar existindo nesse mundo – nosso mundo. Um corpo ilhado preso aos mares dos pensamentos, emparedado pela arquitetura que o cerca com tijolos que parecem emudecer as paredes da alma.


O objetivo da série de trabalhos arrolados nesse artigo inferem a respeito das relações do corpo do artista e suas poéticas fomentados pela crítica-social e política, em função dos desgovernos no trato da saúde pública e a manutenção e proteção à vida. Como método criou-se novas espacialidades - espaços performados ou praticados na casa, de forma a incitar a transposição das barreiras ideológicas que gestam contra a manutenção da esperança em meio aos sonhos intranquilos, através da prática experimental cotidiana de produção de performances e instalações, como um diário de bordo publicizado no Instagram do artista, fomentando o pensamento crítico e reflexivo acerca da importância da consciência do corpo nas lutas contra as diversas formas de repressão política e social.


O artigo toma algumas referências ligadas à questão das imagens oníricas e símbolos, a saber: Gaston Bachelard (1998) e Mircea Eliade (1991). Mas também, emula questões da performatividade e do corpo na contemporaneidade através de Michel Serres (2001), Mario Perniola (2005), Regina Merlim (2008) e Viviane Matesco (2009). Desta forma, a partir da perspectiva poética da Arte Contemporânea, a ideia de Caixa de solidão é tomada como território poroso que encontra abrigo nos interstícios, nas interseções e nas extensões com a arquitetura e a paisagem.


Comunicação originalmente apresentada no POÉTICAS, ES - Seminário Ibero-americano sobre o Processo de Criação nas Artes, em dezembro de 2020.


O texto da comunicação está publicado nos Anais do evento, disponível aqui.