Entre tempo e coisas
por Marceli Rocha
No dia 14 de setembro de 2026, fui visitar a exposição Entre tempo e coisas, da professora Rosana Peste, no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), como parte de um encontro de uma formação de mediadores, da qual faço parte como bolsista da Galeria de Arte e Pesquisa. Essa formação está acontecendo juntamente com a equipe de mediadores da Galeria de Arte Espaço Universitário (GAEU) e do próprio MAES.
Em um primeiro momento, foi-nos deixado livre para experienciarmos a exposição individualmente. Até então, o único conhecimento que tinha sobre a artista era que ela é/foi professora de Escultura para os alunos de Artes Visuais na UFES. Com isso em mente, desloquei-me pelo espaço apenas observando as obras com calma. Queria entender visualmente antes de ler qualquer informação. Após isso, dei outra volta desde onde havia começado anteriormente e, dessa vez, lendo as fichas de cada obra. Achei muito engraçado nesse momento, pois havia obras que eu não tinha entendido como obras; acreditei serem parte da arquitetura do museu, mas não, eram obras, como a Garra de caranguejo, que foi instalada perto das janelas. Entendi que a Rosana aparentemente gosta de trazer isso nos trabalhos, além do material similar: o metal.
As obras nas imagens abaixo foram as que mais me impactaram. A obra 1 me deixou parada por um tempo para observar. De forma parecida, aconteceu com a obra 3; achei interessante como ela foge um pouco do “padrão” das outras. A maneira como a Rosana entende o que é escultura foi interessante de vivenciar, ainda mais por não ser a minha área de expressão. A obra 2 foi a que mais me surpreendeu e ainda é viva em minha memória constantemente. A princípio, não havia prestado tanta atenção nela; lembrou-me uma ferradura de cavalo, mas não aprofundei o pensamento. À medida que a formação seguiu e foram feitas atividades, tive mais informações, e foi como se tudo se encaixasse de alguma maneira. O nome da obra é Ouroboros. Ouroboros é o nome de um símbolo bastante conhecido na mitologia: a imagem de uma cobra comendo o próprio rabo, fazendo alusão a tudo ser cíclico, inclusive o tempo, o que faz completo sentido com o nome da exposição.
Corpo Ilha, Rosana Paste (2026). Fotografia: Marceli Rocha
Ourobouros, Rosana Paste (2026). Fotografia: Marceli Rocha
Rosana por Josimar, Jocimar Nalesso (2011). Fotografia: Marceli Rocha
Outro momento que me marcou foi quando, depois de tudo isso, finalmente li o texto curatorial. Foi possível sentir e ver tantas outras camadas nesses trabalhos e perceber como tudo foi fruto de coisas tão intrínsecas na vida da artista.
Como estudante, é sempre importante ter a experiência de visualizar e se conectar com trabalhos de artistas já formados. Quando essa pessoa é uma professora, é mais curioso ainda observar o que é dado em sala se aplicando na vida e nos trabalhos. Posso dizer que foi uma experiência enriquecedora e interessante: uma tarde em que houve ensinamentos, mesmo sendo tão diferente do meu habitual, ao ver e ter contato com maneiras diferentes de dizer algo.
*Relato produzido a partir da visita a exposição Entre tempo e coisas da artista Rosana Paste que aconteceu no MAES no período de 18 de agosto a 18 de outubro de 2026.
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