Graduartes 2019: Limiares Labirínticos

Curadoria realizada na Galeria de Arte e Pesquisa (GAP-UFES) e inaugurada em 28 de novembro de 2019.


Artistas: Ais Martins, Alegria Falconi, Alexandre Marin, Amanda Miranda, Ana Carolina Schmidel, Any Wutke, Flávia de Marcos, Glaucio Buhr, Grazielle Poton, Greicy K Teixeira, Guilherme Favoretti, Heitor Andrade, Inez Abelha, Jaks, Juliana Lima, Kamilla Pombs, Lari Oliveira, Lígia Barossi, Luca Pascoal, M. Constantino, Maria Menezes, Mariano Correia, May Barbieri, Natália Farias, Paula Barbosa, Raízes Santana, Rebeca Ribeiro, Roel, Vânia Vica, Vinícius Ora.

Curadoria: Ananda Carvalho, Marcos Martins, Flavia Dalla Bernardina, Jessica Dalcolmo, Lília Pessanha, Lindomberto Ferreira Alves, Daniel Hora

Assistência de Curadoria: Ana Poubel, Igor Degobi, Jefferson Sarmento, Luiz Will Gama, Marcos Graminha

Design gráfico: Camila Huhn

Coordenação do Educativo: Stela Maris

Conselho da GAP: Ananda Carvalho, Diego Rayck, Gabriel Menotti, Miro Soares, Stela Maris, Yiftah Peled, Denise César, Leticia de Oliveira Fraga, Rodrigo Pablo Vieira

Presidente do Conselho e Coordenador da GAP: Marcos Martins (2019)


Texto Curatorial:


Sobre ritos, limiares e labirintos

por Flávia Dalla Bernardina e Lindomberto Ferreira Alves


– Clichês?! Talvez. Mas não podemos nos esquecer de que, vira e mexe, esse e outros tantos ritos acabam nos tomando de assalto; revirando-nos do avesso e lançando-nos à vertigem de um tempo em que nossa existência é posta em suspensão.


– Verdade. Parece que para cada passagem urge um tempo cuja duração depende do espaço que se pretende atravessar, da relação que se estabelece com aquilo que se separa de nós e da relação consigo mesmo em ato de separação.


– Pairando intermitentemente em permeio – diria Vincent Crapanzano – esses limiares nos permitem deixar um território estável e adentrar em outro lugar.


–  Como uma experiência labiríntica?


– Isso mesmo. Essa experiência dá a ver aquilo que é desconhecido, a priori, mas que, cedo ou tarde – vagando ao acaso em sua extensão indefinida – emerge como saída de que o nosso próprio corpo pode ser, ao mesmo tempo, o lugar de chegadas e de partidas.


– Mas me diga uma coisa: nesse caso, ritos, limiares e labirintos seriam um mesmo estado sensorial de vacância em que estaríamos, ainda que involuntariamente, reféns do porvir?


– Para mim eles seriam muito mais momentos em que o porvir simplesmente sorri para nós!


– E impressiona como quase nunca paramos realmente para pensar essas coisas. Será que elas fazem algum sentido?


– Pode ser que sim ou não. Em todo caso, essa pode ser uma ótima oportunidade para refletirmos sobre essas questões. Cada um à sua maneira, os trabalhos, aqui reunidos, apontam para o que somos capazes de produzir – lembrando Cibele Rizek – quando não hesitamos pôr-se em jogo diante de um presente de descobertas, tempo em que nada está definido, em que nada é definitivo.


– Atravessamos?