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Não sair até o rojão estourar

há 4 horas
2 min de leitura

O que contam as ruínas?


por Franciele Ferreira

 

Cada canto daquele lugar guarda uma memória. Alguns guardam, talvez, resquícios da pólvora do depósito. Outros, os últimos dias de uma pessoa. Guardam medo, solidão, sentimento de abandono, desespero. E por que não esperança?


Mas nem tudo se mantém. A memória, assim como a própria estrutura, está em ruínas. Alguns vestígios permanecem; outros são como se nunca tivessem existido. A estrutura não resistiu intacta à força do tempo. As lembranças tampouco permanecem as mesmas.


Ocupar esse lugar também é ressignificá-lo. A “Ilha do Medo” ganha novos contornos ao abrigar as obras. As paredes, que antes isolavam os pacientes do exterior, servem agora de moldura para a paisagem por meio de seus novos vãos. Onde antes havia isolamento, agora há encontro.


Mas não só. Essas paredes abrigaram diferentes manifestações artísticas que passaram por lá. Isso mesmo, passaram. Não estão mais lá. Uma experiência para ser vivida dentro do seu tempo.


E, diante de uma experiência assim, o que permanece? Talvez um registro ou uma imagem que só existe na memória de quem esteve lá e que, com o tempo, também se transforma.


As obras já não ocupam aquele espaço, mas seguem existindo de outras maneiras: na lembrança de quem as conheceu e na imaginação de quem não esteve lá.


E o que as ruínas nos contam sobre isso?


À medida que a intervenção humana se apaga, a natureza retoma o seu lugar. Quanto tempo levará, não se pode dizer.


Até o último rojão estourar, as ruínas terão histórias para contar!


Fotografia: Elvis Rocha


*Texto produzido a partir da conversa com a curadora Clara Pignaton (em 21 de setembro de 2026) sobre a exposição não sair até o rojão estourar que aconteceu na Ilha da Pólvora no período de 31 de julho a 08 de agosto de 2021.

 
 
 

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